
“Deixei-te fugir por entre
os dedos de uma só mão:
Aquela com que te
Prendia de encontro à alma.”
os dedos de uma só mão:
Aquela com que te
Prendia de encontro à alma.”
in Quase e outros poemas De Querença, Jorge Reis-Sá Luis Noronha da Costa
De quando em vez gosto de pegar neste livro e abrir ao acaso e ler umas frases.
Como nada acontece por acaso, hoje (sinto-me triste) ao abrir, foi esta a frase que me surgiu.
Parei para pensar e meditar um pouco na frase.
Quando queremos uma coisa e estamos a lutar por ela, fazemos de tudo.
Seja na obtenção de algo, seja na cura de uma doença, seja no amor, na paixão, sei lá em que algo mais.
Vou exemplificar o que acontece normalmente quando duas pessoas se estão a apaixonar. As pessoas (nós) são atenciosas. Estão atentas à outra e a tudo o que a outra pessoa quer, precisa, deseja... tudo.
Ficamos super felizes quando a outra pessoa arranja um bocadinho do seu tempo para partilhar connosco e sempre que temos essa pessoa perto de nós é uma alegria, uma felicidade. Tudo o que nos é dado é sempre o máximo. Esta frase fez-me ler para além das letras. Deixei-te fugir por entre os dedos de uma só mão, porquê? Porque é que quando já temos o amor, a paixão ou seja lá o que for, que mexa com as nossas emoções, não seguramos com todo o cuidado, carinho e atenção com que o fazíamos no inicio? Porque não seguramos com AS DUAS MÃOS para que não fuja (nem é bem fugir, é mais desvanecer, desaparecer, diluir-se... sei lá) das nossas mãos.
Ainda por cima se era tão importante para nós que a prendíamos de encontro à alma, porque razão não tomamos conta.
Porque a partir de uma certa altura passamos a cobrar tudo o que fazemos, damos, sentimos, e tudo o que não nos fazem, não nos dão e não sentem?
A partir da altura em que passamos a cobrar, começam as mágoas...
Pior, porque quando existe amor tentamos ultrapassar tudo, mas sem o outro lado a ajudar, nada feito.
E existem coisas que não adiantam, que é ficar triste porque gostaríamos de voltar ao inicio, querer dar tempo à relação, fecharmo-nos dentro de nós e cobrar tudo à outra pessoa.
Ao inicio nunca mais conseguimos voltar, o que apenas (e isso é muito importante) conseguimos fazer é ficarmos tão atentas como éramos, tão apaixonadas como éramos e tão compreensivas como éramos.
Dar tempo à relação... é o melhor caminho para ir cada um para seu lado. O dar tempo apenas nos leva à separação definitiva.
Fecharmo-nos dentro da nossa concha (é o mesmo que dar tempo...) e cobrarmos tudo à outra pessoa é cavar um fosso ainda maior.
Por isso e depois de ler a frase inicial, apenas concluo:
Ou amamos mesmo e o amor supera tudo, ou o amor não é assim tão grande que consiga aguentar os contratempos que a vida nos coloca.
Até à próxima.
Namastê
Sandra